sexta-feira , 23 junho 2017
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Malária: em cada 2 minutos morre uma criança, já pronta nova vacina

A malária continua a matar mais de 400 mil pessoas por ano. O anúncio foi feito pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em vista ao Dia Internacional para a luta contra a doença que se celebrou nesta terça-feira, 25 de abril.

“Um impulso para a prevenção”. Este é o tema, para 2017, do Dia Mundial para a luta contra a malária, uma doença infecciosa – informa a OMS – e que só em 2015 causou 429 mil mortes: mais de dois terços são crianças menores de cinco anos. Ou seja, em cada dois minutos morre de malária uma criança. Números alarmantes, sobretudo para algumas partes da África. Em Angola, Moçambique, Etiópia, Uganda, Tanzânia, Sudão do Sul e Serra Leoa trabalha com projectos ad hoc a ‘Médicos com a África Cuamm’, da qual o epidemiologista Giovanni Putoto é o responsável pela programação:

“90% dos casos de malária, que são no total 212 milhões, e 92% das mortes ocorrem na África Subsaariana e os que são mais expostos ao risco de contágio são crianças, porque elas ainda não desenvolveram nenhuma imunidade. De facto, dois terços das mortes refere-se a crianças menores de cinco anos e foram quase 303 mil  só na África Subsaariana. A malária é transmitida por um mosquito – a Anófeles fêmea – que é particularmente susceptível às condições ambientais e em particular a temperatura, a humidade, e a disponibilidade de água. As zonas tropicais do mundo, particularmente em África, são as zonas ideais para permitir à Anófeles de desenvolver e transmitir o parasita, injectando-o de um corpo para outro. E depois, para além dos factores ambientais, ecológicos, existem também factores ligados à organização humana. É fundamental que as casas tenham redes de protecção para impedir aos mosquitos, sobretudo durante as horas nocturnas, de entrarem em casa. Também ter roupas que cobrem uma boa parte do corpo é um elemento de protecção adicional. Em muitas partes do mundo e, infelizmente, na África subsaariana, tais condições não existem”.

A Organização Mundial da Saúde anunciou que no Quénia, Gana e Malawi, nos próximos meses vai arrancar uma nova vacina contra a malária, e que vai cobrir pelo menos 360 mil crianças. Disse ainda Putoto:

“Existe uma nova vacina que se chama ‘Mosquirix’ e que superou as três fases de ensaios clínicos. São fases experimentais, obrigatórias para todos os tipos de vacinas, incluindo a da malária. Mas esta é uma vacina interessante porque vai ser testado em números importantes nos três Países africanos e será incluído no programa de vacinação de cada um deles. Portanto, as crianças com idade entre 5 a 17 meses, no Quénia, Gana e Malawi, além das vacinas tradicionais contra a poliomielite, a difteria, o tétano, também vão receber esta vacina. Vai se iniciar em 2018. Os resultados serão constantemente monitorizados, no que diz respeito à eficácia e segurança, e deveríamos apreciar os primeiros resultados em torno de 2022”.

Este ano, para o Dia Mundial, se quis colocar o acento na prevenção. É um factor decisivo, segundo o responsável de programação da ‘Médicos com a África Cuamm’:

“Sempre que há uma nova vacina se difundem novas esperanças. Mas a vacina, só por si, não pode reduzir o nível de infecção e resolver o problema. É necessário que ela seja precedida e complementada por serviços preventivos. No caso da malária, estes serviços são de natureza variada. O mais importante é a distribuição e utilização adequada, a nível das famílias, das redes mosquiteiras tratadas com substância baseada no piretro. Portanto, há uma grande actividade – em África e em outros lugares – de distribuição destas redes mosquiteiras que são entregues às mulheres durante as visitas pré-natal; a elas também se ensina como usar as redes correctamente. A segunda actividade de prevenção diz respeito às mulheres grávidas: elas recebem duas a três doses de um medicamento anti malárico para ajudá-las a não se infectar e não ter sequelas graves ligadas com a malária, como por exemplo a anemia ou até mesmo a insuficiência placentária, com efeitos negativos no crescimento do feto. Depois, existem os acessos – quando há eventos febris causados pela malária – a diagnósticos e terapias imediatas, o mais próximo possível aos lugares onde as populações vivem. Hoje, existe uma grande difusão de testes rápidos para a malária, que pode ser feitos mesmo nas aldeias mais pequenas”. (BS)

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