{"id":23106,"date":"2024-10-26T11:41:50","date_gmt":"2024-10-26T14:41:50","guid":{"rendered":"https:\/\/dioceseteixeiradefreitas.com.br\/?p=23106"},"modified":"2024-10-27T12:00:59","modified_gmt":"2024-10-27T15:00:59","slug":"amou-nos-a-enciclica-do-papa-sobre-o-sagrado-coracao-de-jesus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dioceseteixeiradefreitas.com.br\/?p=23106","title":{"rendered":"\u201cAmou-nos\u201d, a Enc\u00edclica do Papa sobre o Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/dioceseteixeiradefreitas.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/IMG_1932.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/dioceseteixeiradefreitas.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/IMG_1932.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-23107\" srcset=\"https:\/\/dioceseteixeiradefreitas.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/IMG_1932.jpeg 500w, https:\/\/dioceseteixeiradefreitas.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/IMG_1932-300x169.jpeg 300w, https:\/\/dioceseteixeiradefreitas.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/IMG_1932-390x220.jpeg 390w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cDilexit nos\u201d, a quarta Enc\u00edclica de Francisco, repercorre a tradi\u00e7\u00e3o e a atualidade do pensamento \u201csobre o amor humano e divino do cora\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo\u201d, convidando a renovar sua aut\u00eantica devo\u00e7\u00e3o para n\u00e3o esquecer a ternura da f\u00e9, a alegria de colocar-se a servi\u00e7o e o fervor da miss\u00e3o: porque o Cora\u00e7\u00e3o de Jesus nos impele a amar e nos envia aos irm\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c&#8217;Amou-nos&#8217;, diz S\u00e3o Paulo referindo-se a Cristo (<em>Rm 8,37<\/em>), para nos ajudar descobrir que nada \u2018ser\u00e1 capaz de separar-nos&#8217; desse amor (<em>Rm 8,39<\/em>)\u201d. Assim come\u00e7a a quarta Enc\u00edclica do Papa Francisco, intitulada a partir do incipit \u201cDilexit nos\u201d e dedicada ao amor humano e divino do Cora\u00e7\u00e3o de Jesus: \u201cO seu cora\u00e7\u00e3o aberto precede-nos e espera-nos incondicionalmente, sem exigir qualquer pr\u00e9-requisito para nos amar e oferecer a sua amizade: Ele amou-nos primeiro (<em>cf. 1 Jo 4, 10<\/em>). Gra\u00e7as a Jesus, \u2018conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele\u2019 (<em>1 Jo 4, 16<\/em>)\u201d (1).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/20241024-enciclica-dilexit-nos.html\">Leia aqui.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O amor de Cristo representado em seu santo Cora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em uma sociedade &#8211; escreve o Papa &#8211; que v\u00ea a multiplica\u00e7\u00e3o de \u201cv\u00e1rias formas de religiosidade sem refer\u00eancia a uma rela\u00e7\u00e3o pessoal com um Deus de amor\u201d (87), enquanto o cristianismo muitas vezes esquece \u201ca ternura da f\u00e9, a alegria do servi\u00e7o, o fervor da miss\u00e3o pessoa-a-pessoa\u201d (88), o Papa Francisco prop\u00f5e um novo aprofundamento sobre o amor de Cristo representado em seu santo Cora\u00e7\u00e3o e nos convida a renovar nossa aut\u00eantica devo\u00e7\u00e3o, lembrando que no Cora\u00e7\u00e3o de Cristo \u201cencontramos todo o Evangelho\u201d (89): \u00c9 em seu Cora\u00e7\u00e3o que \u201cfinalmente nos reconhecemos e aprendemos a amar\u201d (30).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O mundo parece ter perdido seu cora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Francisco explica que, ao encontrar o amor de Cristo, \u201ctornamo-nos capazes de tecer la\u00e7os fraternos, de reconhecer a dignidade de cada ser humano e de cuidar juntos da nossa casa comum\u201d, como ele nos convida a fazer em suas enc\u00edclicas sociais&nbsp;<em>Laudato si&#8217;<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>Fratelli tutti<\/em>&nbsp;(217). E diante do Cora\u00e7\u00e3o de Cristo, pede mais uma vez ao Senhor \u201cque tenha compaix\u00e3o desta terra ferida\u201d e derrame sobre ela \u201cos tesouros da sua luz e do seu amor\u201d, para que o mundo, \u201cque sobrevive entre guerras, desequil\u00edbrios socioecon\u00f4micos, consumismo e o uso anti-humano da tecnologia, recupere o que \u00e9 mais importante e necess\u00e1rio: o cora\u00e7\u00e3o\u201d (31). Ao anunciar a prepara\u00e7\u00e3o do documento, no final da audi\u00eancia geral de 5 de junho, o Pont\u00edfice deixou claro que este ajudaria a meditar sobre os aspectos \u201cdo amor do Senhor que podem iluminar o caminho da renova\u00e7\u00e3o eclesial; mas tamb\u00e9m que podem dizer algo significativo a um mundo que parece ter perdido seu cora\u00e7\u00e3o\u201d. E isso enquanto as celebra\u00e7\u00f5es est\u00e3o em andamento pelos 350 anos da primeira manifesta\u00e7\u00e3o do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque, em 1673, que se encerrar\u00e3o em 27 de junho de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A import\u00e2ncia de voltar ao cora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Aberta por uma breve introdu\u00e7\u00e3o e dividida em cinco cap\u00edtulos, a Enc\u00edclica sobre o culto ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus re\u00fane, como anunciado em junho, \u201cas preciosas reflex\u00f5es de textos magisteriais precedentes e de uma longa hist\u00f3ria que remonta \u00e0s Sagradas Escrituras, para repropor hoje, a toda a Igreja, esse culto carregado de beleza espiritual\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro cap\u00edtulo, \u201cA import\u00e2ncia do cora\u00e7\u00e3o\u201d, explica por que \u00e9 necess\u00e1rio \u201cvoltar ao cora\u00e7\u00e3o\u201d em um mundo no qual somos tentados a \u201cnos tornarmos consumistas insaci\u00e1veis e escravos na engrenagem de um mercado\u201d (2). E faz isso analisando o que queremos dizer com \u201ccora\u00e7\u00e3o\u201d: a B\u00edblia fala dele como um n\u00facleo \u201cque se esconde por detr\u00e1s de todas as apar\u00eancias\u201d (4), um lugar onde \u201cn\u00e3o conta o que mostramos exteriormente ou o que ocultamos, ali conta o que somos\u201d (6). Ao cora\u00e7\u00e3o conduzem as perguntas decisivas: que sentido quero dar \u00e0 vida, \u00e0s minhas escolhas e a\u00e7\u00f5es, quem sou diante de Deus (8). O Papa ressalta que a atual desvaloriza\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o nasce do \u201cracionalismo grego e pr\u00e9-crist\u00e3o, do idealismo p\u00f3s-crist\u00e3o e do materialismo\u201d, de modo que, no grande pensamento filos\u00f3fico, foram preferidos conceitos como \u201craz\u00e3o, vontade ou liberdade\u201d. E n\u00e3o encontrando lugar para o cora\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m \u201cn\u00e3o se desenvolveu suficientemente a ideia de um centro pessoal\u201d que pode unificar tudo, ou seja, o amor, (10). Ao inv\u00e9s, para o Pont\u00edfice, \u00e9 preciso reconhecer que \u201ceu sou o meu cora\u00e7\u00e3o, porque \u00e9 ele que me distingue, que me molda na minha identidade espiritual e que me p\u00f5e em comunh\u00e3o com as outras pessoas\u201d (14).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O mundo pode mudar a partir do cora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o cora\u00e7\u00e3o \u201cque une os fragmentos\u201d e torna poss\u00edvel \u201cqualquer v\u00ednculo aut\u00eantico, porque uma rela\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 constru\u00edda com o cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ultrapassar a fragmenta\u00e7\u00e3o do individualismo\u201d (17). A espiritualidade de santos como In\u00e1cio de Loyola (aceitar a amizade do Senhor \u00e9 uma quest\u00e3o de cora\u00e7\u00e3o) e S\u00e3o John Henry Newman (o Senhor nos salva falando ao nosso cora\u00e7\u00e3o a partir do seu sagrado Cora\u00e7\u00e3o) nos ensina, escreve o Papa Francisco, que \u201cperante o Cora\u00e7\u00e3o de Jesus vivo e atual, o nosso intelecto, iluminado pelo Esp\u00edrito, compreende as palavras de Jesus\u201d (27). E isso tem consequ\u00eancias sociais, porque o mundo pode mudar \u201ca partir do cora\u00e7\u00e3o\u201d (28).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cGestos e palavras de amor\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O segundo cap\u00edtulo \u00e9 dedicado aos gestos e palavras de amor de Cristo. Os gestos com os quais nos trata como amigos e mostra que Deus \u201c\u00e9 proximidade, compaix\u00e3o e ternura\u201d s\u00e3o vistos em seus encontros com a Samaritana, com Nicodemos, com a prostituta, com a mulher ad\u00faltera e com o cego no caminho (35). Seu olhar, que \u201cperscruta as profundezas do seu ser\u201d (39), mostra que Jesus \u201cest\u00e1 atento \u00e0s pessoas, \u00e0s suas preocupa\u00e7\u00f5es, ao seu sofrimento\u201d (40). De tal forma \u201cque admira as coisas boas que encontra em n\u00f3s\u201d, como no centuri\u00e3o, mesmo que os outros as ignorem (41). Sua palavra de amor mais eloquente \u00e9 ser \u201cpregado numa cruz\u201d (46), depois de chorar por seu amigo L\u00e1zaro e sofrer no Jardim das Oliveiras, ciente de sua pr\u00f3pria morte violenta \u201cnas m\u00e3os daqueles que tanto amava\u201d (45).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O mist\u00e9rio de um cora\u00e7\u00e3o que amou tanto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No terceiro cap\u00edtulo, \u201cEste \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o que tanto amou\u201d, o Pont\u00edfice recorda como a Igreja reflete e refletiu no passado \u201csobre o santo mist\u00e9rio do Cora\u00e7\u00e3o do Senhor\u201d. Ele faz isso fazendo refer\u00eancia \u00e0 Enc\u00edclica&nbsp;<em>Haurietis aquas<\/em>, de Pio XII, sobre a devo\u00e7\u00e3o ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus (1956). Ele deixa claro que \u201ca devo\u00e7\u00e3o ao Cora\u00e7\u00e3o de Cristo n\u00e3o \u00e9 o culto a um \u00f3rg\u00e3o separado da Pessoa de Jesus\u201d, porque adoramos a \u201cJesus Cristo por inteiro, o Filho de Deus feito homem, representado numa imagem sua em que se destaca o seu cora\u00e7\u00e3o\u201d (48). A imagem do cora\u00e7\u00e3o de carne, ressalta o Papa, nos ajuda a contemplar, na devo\u00e7\u00e3o, que \u201co amor do cora\u00e7\u00e3o de Jesus n\u00e3o compreende somente a caridade divina, mas se estende aos sentimentos do afeto humano\u201d (61). Seu Cora\u00e7\u00e3o, prossegue Francisco citando Bento XVI, cont\u00e9m um \u201ctr\u00edplice amor\u201d: o amor sens\u00edvel do seu cora\u00e7\u00e3o f\u00edsico \u201ce o seu duplo amor espiritual, o humano e o divino\u201d (66), no qual encontramos \u201co infinito no finito\u201d (64).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 um comp\u00eandio do Evangelho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As vis\u00f5es de alguns santos, particularmente devotos do Cora\u00e7\u00e3o de Cristo, ressalta Francisco, \u201cs\u00e3o belos est\u00edmulos que podem motivar e fazer muito bem\u201d, mas \u201cn\u00e3o s\u00e3o algo em que os crentes sejam obrigados a acreditar como se fossem a Palavra de Deus\u201d. Em seguida, o Papa lembra com Pio XII que n\u00e3o se pode dizer que este culto \u201cdeve a sua origem a revela\u00e7\u00f5es privadas\u201d. Ali\u00e1s, \u201ca devo\u00e7\u00e3o ao Cora\u00e7\u00e3o de Cristo \u00e9 essencial para a nossa vida crist\u00e3, na medida em que significa a nossa abertura, cheia de f\u00e9 e de adora\u00e7\u00e3o, ao mist\u00e9rio do amor divino e humano do Senhor, at\u00e9 ao ponto de podermos voltar a afirmar que o Sagrado Cora\u00e7\u00e3o \u00e9 um comp\u00eandio do Evangelho\u201d (83). O Pont\u00edfice nos convida, ent\u00e3o, a renovar a devo\u00e7\u00e3o ao Cora\u00e7\u00e3o de Cristo tamb\u00e9m para combater as \u201cnovas manifesta\u00e7\u00f5es de uma \u2018espiritualidade sem carne\u2019\u201d que est\u00e3o se multiplicando na sociedade (87). \u00c9 necess\u00e1rio retornar \u00e0 \u201cs\u00edntese encarnada do Evangelho\u201d (90) diante de \u201ccomunidades e pastores concentrados apenas em atividades exteriores, em reformas estruturais desprovidas de Evangelho, em organiza\u00e7\u00f5es obsessivas, em projetos mundanos, em reflex\u00f5es secularizadas, em v\u00e1rias propostas apresentadas como requisitos que, por vezes, se pretendem impor a todos\u201d (88).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A experi\u00eancia de um amor \u201cque d\u00e1 de beber\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos dois \u00faltimos cap\u00edtulos, o Papa Francisco destaca os dois aspectos que \u201ca devo\u00e7\u00e3o ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o deve reunir hoje para continuar a alimentar-nos e a aproximar-nos do Evangelho: a experi\u00eancia espiritual pessoal e o compromisso comunit\u00e1rio e mission\u00e1rio\u201d (91). No quarto, \u201cO amor que d\u00e1 de beber\u201d, rel\u00ea as Sagradas Escrituras e, com os primeiros crist\u00e3os, reconhece Cristo e seu lado aberto em \u201caquele a quem trespassaram\u201d, a quem Deus se refere na profecia do livro de Zacarias. Uma fonte aberta para o povo, para saciar a sede do amor de Deus, \u201cpara a purifica\u00e7\u00e3o do pecado e da impureza\u201d (95). V\u00e1rios Padres da Igreja mencionaram \u201ca chaga no lado de Jesus como a origem da \u00e1gua do Esp\u00edrito\u201d, sobretudo Santo Agostinho, que \u201cabriu o caminho para a devo\u00e7\u00e3o ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o como lugar de encontro pessoal com o Senhor\u201d (103).&nbsp; Esse lado trespassado, recorda o Papa, \u201cassumiu gradualmente a forma do cora\u00e7\u00e3o\u201d (109), e enumera v\u00e1rias santas mulheres que \u201crelataram experi\u00eancias de encontro com Cristo, caracterizado pelo repouso no Cora\u00e7\u00e3o do Senhor\u201d (110). Entre os devotos dos tempos modernos, a Enc\u00edclica fala, em primeiro lugar, de S\u00e3o Francisco de Sales, que representa a sua proposta de vida espiritual com um \u201ccora\u00e7\u00e3o trespassado por duas flechas, encerrado numa coroa de espinhos\u201d (118)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As apari\u00e7\u00f5es a Santa Margarida Maria Alacoque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sob a influ\u00eancia dessa espiritualidade, Santa Margarida Maria Alacoque relata as apari\u00e7\u00f5es de Jesus em Paray-le-Monial, entre o fim de dezembro de 1673 e junho de 1675. O n\u00facleo da mensagem que nos \u00e9 transmitida pode ser resumido nas palavras que Santa Margarida ouviu: \u201cEis aqui este Cora\u00e7\u00e3o que tanto tem amado os homens, que a nada se tem poupado at\u00e9 se esgotar e consumir para lhes testemunhar o seu amor\u201d (121).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Teresa de Lisieux, In\u00e1cio de Loyola e Faustina Kowalska<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De Santa Teresa de Lisieux, o documento recorda o fato de chamar Jesus de \u201cAquele cujo cora\u00e7\u00e3o batia em un\u00edssono com o meu\u201d (134) e suas cartas \u00e0 Irm\u00e3 Maria, que ajudam a n\u00e3o concentrar a devo\u00e7\u00e3o ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o \u201cno \u00e2mbito da dor\u201d, como o daqueles que entendiam a repara\u00e7\u00e3o como uma esp\u00e9cie de \u201cprimado dos sacrif\u00edcios\u201d, mas na confian\u00e7a \u201ccomo a melhor oferta, agrad\u00e1vel ao Cora\u00e7\u00e3o de Cristo\u201d (138). O Pont\u00edfice jesu\u00edta tamb\u00e9m dedica algumas passagens da Enc\u00edclica ao lugar do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria da Companhia de Jesus, enfatizando que, em seus Exerc\u00edcios Espirituais, Santo In\u00e1cio de Loyola prop\u00f5e ao exercitante \u201centrar no Cora\u00e7\u00e3o de Cristo\u201d em um di\u00e1logo de cora\u00e7\u00e3o para cora\u00e7\u00e3o. Em dezembro de 1871, o Padre Beckx consagrou a Companhia ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus e o Padre Arrupe voltou a faz\u00ea-lo em 1972 (146). As experi\u00eancias de Santa Faustina Kowalska, recorda-se, reprop\u00f5em a devo\u00e7\u00e3o \u201ccolocando uma forte \u00eanfase na vida gloriosa do Ressuscitado e na miseric\u00f3rdia divina\u201d e, motivado por elas, S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II tamb\u00e9m \u201crelacionou intimamente a sua reflex\u00e3o sobre a miseric\u00f3rdia com a devo\u00e7\u00e3o ao Cora\u00e7\u00e3o de Cristo\u201d (149). Falando da \u201cdevo\u00e7\u00e3o da consola\u00e7\u00e3o\u201d, a Enc\u00edclica explica que, diante dos sinais da Paix\u00e3o conservados pelo cora\u00e7\u00e3o do Ressuscitado, \u00e9 inevit\u00e1vel \u201cque o fiel queira responder\u201d tamb\u00e9m \u201c\u00e0 dor que Cristo aceitou suportar por causa de tanto amor\u201d (151). E pede \u201cque ningu\u00e9m ridicularize as express\u00f5es de fervor devoto do santo povo fiel de Deus, que na sua piedade popular procura consolar Cristo\u201d (160). Pois que, ent\u00e3o, \u201cdesejando consol\u00e1-lo, sa\u00edmos consolados\u201d e assim \u201ctamb\u00e9m n\u00f3s possamos consolar aqueles que est\u00e3o em qualquer tribula\u00e7\u00e3o\u201d (162).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A devo\u00e7\u00e3o ao Cora\u00e7\u00e3o de Cristo nos envia aos irm\u00e3os<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O quinto e \u00faltimo cap\u00edtulo, \u201cAmor por amor\u201d, aprofunda a dimens\u00e3o comunit\u00e1ria, social e mission\u00e1ria de toda aut\u00eantica devo\u00e7\u00e3o ao Cora\u00e7\u00e3o de Cristo, que, ao mesmo tempo que \u201cnos conduz ao Pai, envia-nos aos irm\u00e3os\u201d (163). De fato, o amor aos irm\u00e3os \u00e9 o \u201cmaior gesto que possamos oferecer-lhe para retribuir amor por amor\u201d (167). Olhando para a hist\u00f3ria da espiritualidade, o Pont\u00edfice recorda que o empenho mission\u00e1rio de S\u00e3o Charles de Foucauld fez dele um \u201cirm\u00e3o universal\u201d: \u201cdeixando-se plasmar pelo Cora\u00e7\u00e3o de Cristo, quis abra\u00e7ar no seu cora\u00e7\u00e3o fraterno toda a humanidade sofredora\u201d (179). Francisco fala ent\u00e3o de \u201crepara\u00e7\u00e3o\u201d, como explicava S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II: \u201centregando-nos em conjunto ao Cora\u00e7\u00e3o de Cristo, \u2018sobre as ru\u00ednas acumuladas pelo \u00f3dio e pela viol\u00eancia, poder\u00e1 ser constru\u00edda a civiliza\u00e7\u00e3o do amor t\u00e3o desejada, o Reino do Cora\u00e7\u00e3o de Cristo\u2019\u201d (182).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A miss\u00e3o de fazer o mundo se apaixonar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Enc\u00edclica recorda novamente com S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II que \u201ca consagra\u00e7\u00e3o ao Cora\u00e7\u00e3o de Cristo \u2018deve ser aproximada \u00e0 a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria da pr\u00f3pria Igreja, porque responde ao desejo do Cora\u00e7\u00e3o de Jesus de propagar no mundo, atrav\u00e9s dos membros do seu Corpo, a sua total dedica\u00e7\u00e3o ao Reino\u2019. Por conseguinte, atrav\u00e9s dos crist\u00e3os, \u2018o amor difundir-se-\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o dos homens, para que se construa o Corpo de Cristo que \u00e9 a Igreja e se edifique uma sociedade de justi\u00e7a, de paz e de fraternidade\u2019\u201d (206). Para evitar o grande risco, sublinhado por S\u00e3o Paulo VI, de que na miss\u00e3o \u201cse digam e fa\u00e7am muitas coisas, mas n\u00e3o se consiga promover o encontro feliz com o amor de Cristo\u201d (208), precisamos de \u201cmission\u00e1rios apaixonados, que se deixem cativar por Cristo\u201d (209)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A ora\u00e7\u00e3o de Francisco<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O texto se conclui com a seguinte ora\u00e7\u00e3o de Francisco: \u201cPe\u00e7o ao Senhor Jesus Cristo que, para todos n\u00f3s, do seu Cora\u00e7\u00e3o santo brotem rios de \u00e1gua viva para curar as feridas que nos infligimos, para refor\u00e7ar a nossa capacidade de amar e servir, para nos impulsionar a fim de aprendermos a caminhar juntos em dire\u00e7\u00e3o a um mundo justo, solid\u00e1rio e fraterno. Isto at\u00e9 que, com alegria, celebremos unidos o banquete do Reino celeste. A\u00ed estar\u00e1 Cristo ressuscitado, harmonizando todas as nossas diferen\u00e7as com a luz que brota incessantemente do seu Cora\u00e7\u00e3o aberto. Bendito seja!\u201d (220).<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/papa\/news\/2024-10\/amou-nos-enciclica-papa-francisco-sobre-sagrado-coracao-de-jesus.html\">https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/papa\/news\/2024-10\/amou-nos-enciclica-papa-francisco-sobre-sagrado-coracao-de-jesus.html<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cDilexit nos\u201d, a quarta Enc\u00edclica de Francisco, repercorre a tradi\u00e7\u00e3o e a atualidade do pensamento \u201csobre o amor humano e divino do cora\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo\u201d, convidando a renovar sua aut\u00eantica devo\u00e7\u00e3o para n\u00e3o esquecer a ternura da f\u00e9, a alegria de colocar-se a servi\u00e7o e o fervor da miss\u00e3o: porque o Cora\u00e7\u00e3o de Jesus &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":32,"featured_media":23107,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[103,41],"tags":[],"class_list":["post-23106","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-do-vaticano","category-noticias_destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dioceseteixeiradefreitas.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23106","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dioceseteixeiradefreitas.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dioceseteixeiradefreitas.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dioceseteixeiradefreitas.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/32"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dioceseteixeiradefreitas.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23106"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/dioceseteixeiradefreitas.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23106\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":23111,"href":"https:\/\/dioceseteixeiradefreitas.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23106\/revisions\/23111"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dioceseteixeiradefreitas.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/23107"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dioceseteixeiradefreitas.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23106"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dioceseteixeiradefreitas.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23106"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dioceseteixeiradefreitas.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23106"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}