Sexta-Feira Santa: os ensinamentos da Cruz do Senhor
Na Sexta-feira Santa recorda-se a Paixão e morte de Jesus Cristo

“Mas, na consumação de sua vida, tornou-se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem” (Hebreus 5,9).
A liturgia da Palavra da Sexta-Feira Santa inicia-se com essa afirmação tirada do livro do profeta Isaías. Parece algo contraditório, pois toda a Igreja se reúne neste dia para recordar a Paixão e morte de Jesus: não há canto, só silêncio; não há luzes, só penumbra; não há adornos, só o altar despido, frio, sem beleza.
Em uma passagem da Escritura, o próprio Jesus dá o sentido da sua Morte: “e, quando eu for elevado da terra, atrairei todos a mim.” (Jo 12,32). Aqui está o ensinamento da Cruz de Cristo: “o que é fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.” (I Cor 1, 25b)
A Cruz do Senhor venerada na Sexta-Feira Santa, deixando inclusive a possibilidade de dobrar o joelho diante dela, nos ensina o caminho da entrega e do amor. Jesus sobe à Cruz para nos ensinar que o amor verdadeiro não é feito de palavras, mas sim de atitudes. Ele nos abre uma nova perspectiva de vida: o sofrimento, a renúncia, a entrega da vida é o antídoto para curar o orgulho e o egoísmo.
Na Cruz, Jesus está em silêncio. Ouve os insultos e nada responde; ouve as acusações, mas perdoa. Não pensemos que o silêncio de Jesus é por covardia, medo, não! É um silêncio fecundo, pois Ele ora ao Pai pelos homens; Ele se imola como oferenda perfeita pelos pecados dos homens. Deus manifesta o seu poder não em meio a espetáculo, mas na aparente derrota.
Nesta Sexta-Feira Santa sejamos como a Virgem Maria: permaneçamos de pé, aos pés da Cruz, sendo fiéis ao Senhor. Fiquemos com Maria, pois ela, como boa mãe, nos ensinará que a Cruz do seu Filho é meio para a ressurreição.
Adoremos o Cristo Crucificado e Sofredor
Hoje, voltamos o olhar, em especial, para aqueles que mais sofrem no meio de nós. O olhar de Cristo sofredor se volta para aqueles que padecem nos leitos de hospitais, naqueles que estão sofrendo na solidão, na depressão, na opressão da alma, do corpo e do espírito, aqueles que estão sendo privados do direito à vida. Ele está dando a Sua vida por nós, mas não deixemos de olhar para os sofrimentos daqueles que padecem no dia de hoje, eles são para nós a imagem do Cristo crucificado e sofredor.
A celebração da Paixão do Senhor
Neste dia, a Igreja não celebra a Eucaristia e nenhum sacramento, exceto a Reconciliação e a Unção dos Enfermos. A celebração litúrgica recorda a morte do Senhor, também é realizada a celebração da Palavra, que termina com a adoração da Cruz e Comunhão Eucarística, com as hóstias consagradas na Quinta-feira Santa.
Que a água que brota do lado aberto de Cristo na cruz nos lave, nos purifique e nos redima. Que a água do lado aberto de Cristo nos conceda uma vida nova. Penetremos no mistério da Paixão do Senhor, reverenciemos, adoremos o Cristo Crucificado que deu Sua vida para nos salvar.
Por ACI Digital, Presbíteros e Padre Carlos Alberto-RJ

