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Retiro espiritual na Terra Santa: Pe. Marcos Viana partilha experiência de fé e reencontro com as fontes do Cristianismo

Santo Sepulcro

Entre os dias 02 e 09 de Janeiro, o Pe. Marcos Viana participou de um retiro espiritual na Terra Santa, promovido pelo Pontifício Colégio Pio Brasileiro, reunindo sacerdotes de diversas dioceses em uma profunda experiência de peregrinação, oração e silêncio interior.

Ao longo desse itinerário espiritual pelos lugares santos, o sacerdote viveu momentos intensos de contemplação, renovação vocacional e aprofundamento da fé, tendo como fio condutor a pergunta fundamental que sustenta toda a vida cristã: “Quem é o Cristo?”

A seguir, o Pe. Marcos partilha, o testemunho dessa experiência marcante, vivida nos locais onde o Senhor nasceu, anunciou o Reino, entregou a vida e ressuscitou, renovando o coração e o ministério sacerdotal.

RETIRO – TERRA SANTA

Pe. Marcos Viana

Entre os dias 02 e 09 de janeiro, vivi a graça singular de uma peregrinação-retiro à Terra Santa, promovida pelo Pontifício Colégio Pio Brasileiro, reunindo 48 sacerdotes em espírito de fraternidade, oração e silêncio interior. Fomos conduzidos espiritualmente por Dom Bruno Varriano, Vigário Patriarcal, cuja sólida formação bíblica e pastoral iluminou cada passo do caminho, orientando todo o retiro a partir de uma pergunta simples e, ao mesmo tempo, decisiva para a fé cristã: “Quem é o Cristo?”

Nossa peregrinação teve início em Nazaré, lugar da natividade e do longo silêncio da vida oculta de Jesus. Ali, onde o Verbo se fez carne e aprendeu a viver sob o teto da Sagrada Família, fomos convidados a contemplar o mistério de um Deus que escolhe o cotidiano, o escondimento e a obediência como caminho de salvação. Nazaré nos ensinou que o essencial da vida cristã nasce no silêncio fiel e no sim cotidiano à vontade do Pai. Em Nazaré, observávamos o cotidiano simples da vida da Sagrada Família; ali compreendemos o silêncio eloquente de José e a total doação da Virgem Maria. Nazaré é, verdadeiramente, uma escola de humanidade e humildade.

Basílica da Natividade – Belém

Seguimos para Cafarnaum, lugar decisivo do início da vida pública de Jesus. Na casa de Pedro, compreendemos que Cristo entra na intimidade da vida humana, transforma casas simples em espaço de revelação e chama homens concretos para segui-Lo. Ali, a pergunta “Quem é o Cristo?” começou a ganhar rosto, voz e autoridade.

Uma das experiências mais belas e significativas foi vivida no Mar da Galileia. Aquele mesmo lago onde Jesus chamou os primeiros apóstolos e onde, após a Ressurreição, voltou a manifestar-se aos seus. Para mim, foi um momento particularmente forte e marcante, pois o diálogo de Jesus com Pedro: “Tu me amas?” ecoou profundamente e continua a ecoar diariamente no meu coração. Essa pergunta, repetida três vezes, permanece como critério de verdade para toda vocação sacerdotal e para toda resposta de fé.

“Pedro, que havia negado o Mestre, não é humilhado nem lembrado de sua queda. Ao contrário, é curado. Cada pergunta de Jesus toca uma ferida, e cada resposta de Pedro transforma a culpa em confiança. Onde houve negação, nasce agora uma profissão de amor humilde: “Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que eu te amo.” É o amor reconhecido na própria fragilidade. Diante da grande do mar, da pergunta, do mistério, vejo que somos necessitados, mais do que privilegiados.”

Mar da Galileia

No Monte Tabor, diante do mistério da Transfiguração, vivi uma emoção ainda mais intensa. Aquela festa litúrgica possui um significado especial na minha vida, pois foi exatamente nesse dia que recebi a ordenação sacerdotal. Contemplar Cristo transfigurado naquele lugar santo foi como reviver o chamado inicial, renovar o dom recebido e reafirmar o desejo de permanecer com Ele, mesmo sabendo que o Tabor sempre conduz a Jerusalém. Outro momento profundamente marcante foi a experiência no Deserto de Qumran e no Mar Morto. No silêncio do deserto, onde a Palavra foi preservada, rezada e aguardada, fomos convidados a reencontrar a sobriedade da fé, a escuta atenta e a confiança radical em Deus. Ali, compreendi novamente que o deserto não é ausência, mas espaço de purificação e encontro.    

Depois de Nazaré, fizemos uma parada em Belém, no lugar santo da Natividade. Ali, contemplamos o encontro do Deus-Menino com a humanidade, o mistério de um Deus que se deixa acolher, que se faz pequeno e frágil. É o lugar do acolhimento, onde a Virgem Maria, com seus braços maternos, recebe o Filho eterno e O oferece ao mundo. Foi uma experiência profundamente tocante e inesquecível. Viver tantos momentos belos naquele espaço sagrado tornou-se ainda mais memorável porque ali celebramos a Epifania, exatamente no lugar onde o Senhor se manifestou às nações. Celebrar a festa da manifestação de Cristo no próprio lugar da manifestação foi uma graça singular: como se o mistério celebrado na liturgia se tornasse visível, palpável e presente, gravando-se para sempre na memória e no coração.

Meus caros, no deserto, o deserto é o lugar sagrado por excelência:

“Foi no deserto que o Senhor encontrou o seu povo. Longe das seguranças, das estruturas e das vozes que distraem, Deus conduziu Israel ao silêncio para falar-lhe ao coração. No deserto, o povo não tinha apoios humanos, apenas a presença fiel do Senhor, que caminhava à frente, alimentava, protegia e ensinava a confiar. O deserto é o lugar da provação, mas também da aliança. Ali caem as máscaras, revela-se a fragilidade e nasce a verdadeira dependência de Deus. É nesse espaço árido que o Senhor forma um povo, educa na obediência e faz brotar a esperança onde nada parecia possível. Além disso, Jesus frequentemente se retira para lugares desertos para rezar, mostrando que o deserto não é fuga, mas espaço de encontro profundo com Deus.

O ponto culminante da peregrinação foi, sem dúvida, Jerusalém, a Cidade Santa. Caminhar pelo Monte das Oliveiras, celebrar no lugar da agonia de Jesus, estar no Cenáculo, onde Cristo instituiu a Eucaristia e onde o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos, foi penetrar no coração do mistério pascal da Igreja.

Contudo, o ápice de toda a experiência deu-se no Santo Sepulcro, lugar da crucifixão, sepultura e ressurreição do Senhor. Celebrar a Santa Missa ali foi algo impossível de traduzir plenamente em palavras. De modo especial, tocou-me profundamente o gesto do presidente da celebração: entrar com a matéria: o pão e o vinho,  e retornar apresentando a Vida, o próprio Cristo, proclamando: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.” Naquele instante, compreendi com clareza renovada que toda a vida sacerdotal é este movimento: levar a humanidade ferida ao altar e devolvê-la transfigurada pela presença viva do Ressuscitado. O sacerdote entra com o pouco que somos e retorna com o tudo que Ele é. No Santo Sepulcro, essa verdade deixou de ser apenas teologia e tornou-se experiência viva, gravada para sempre no coração e na alma.

Santo Sepulcro

Essa peregrinação não foi apenas uma visita aos lugares santos, mas um verdadeiro retiro espiritual, um retorno às fontes da fé e um reencontro pessoal com a pergunta que sustenta toda a existência cristã: Quem é o Cristo para mim? Volto com o coração marcado, a fé fortalecida e o compromisso renovado de anunciar, com a vida e o ministério, Aquele que venceu a morte e permanece vivo no meio de nós.

E eu me pergunto — e também vos pergunto: quem é o Cristo? Como tenho alimentado, dia após dia, esse questionamento no mais profundo do meu coração? Por isso, convido-vos, a aproximar-vos com mais intimidade do Evangelho, a meditá-lo com constância e reverência, para descobrir a cada dia quem Ele é: o Cristo vivo, Aquele que veio ao nosso encontro, que caminha conosco e que veio para nos salvar.

A Diocese de Teixeira de Freitas–Caravelas agradece ao Pe. Marcos Viana pela partilha deste testemunho tão profundo e edificante, que nos ajuda a contemplar, com novos olhos, os mistérios da fé cristã a partir dos lugares onde tudo aconteceu.

Que este relato desperte também em cada fiel o desejo de um encontro mais íntimo com Cristo, fortalecendo a caminhada de fé, a escuta da Palavra e a vivência do Evangelho no dia a dia, à luz daquele que venceu a morte e permanece vivo no meio de nós.

Texto e fotos: Pe. Marcos Viana

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